A SÁTIRA DOS FILHOS
DO CARNAVAL

A maior festa do mundo bate a
nossa porta com seus confetes e serpentinas, além das marchinhas inesquecíveis
tocando sem parar. Sim, ainda há espaço para estas peças tão caras aos nossos
avós. Talvez em clubes particulares ou num bloco ou outro de rua, teimoso em
não se curvar aos
megawatts dos
sambas enredos. Mas, há os que preferem as multidões, os mela-melas e as
escolas carnavalescas aceitando tudo que recebe o adjetivo de novo, moderno,
luxuoso, politicamente correto e sensual. É assim que famílias inteiras se
preparam para o bom e velho Carnaval. E lá se vão eles, juntinhos, arrastando
seus filhos a mostrar-lhes o que é a tão esperada, famosa, badalada e midiática
festa da carne. Nos corpinhos ainda mal formados de crianças, os adereços
sensuais de mini blusas e shortinhos muito curtos – perdoe o pleonasmo! Se os
filhos já forem “crescidinhos”, com seus 13, 14, 15 anos a coisa é diferente.
Já não são os papais que os arrastam por entre decibéis tresloucados de
paredões de som e a inebriante mistura de cerveja e
nãos pode desenvolver
traumas. Isso seria terrível para a sociedade em construção! Agora, o que não
pode acontecer neste Carnaval é que pais e mães, tomados por algum delírio alucinante
de responsabilidade e amor cristão, ensinem aos filhos o decoro e respeito ao
próprio corpo, o controle dos instintos e o consumo parcimonioso e equilibrado
durante os festejos. Isso, não!
suor no ar. Quem puxa agora
o cordão dos jovens foliões são eles próprios, afinal, seu aprendizado de como
se divertir vêm de outros carnavais. Nada demais em mostrar as primeiras
curvinhas que brotam na cintura, a barriguinha pouco saliente e os músculos irrigados
por litros de hormônios típicos desta idade. Nada demais. Assim eles
aprenderam. E por que não? A menininha de cinco anos viu a roupa (?) de passista
num programa de TV e pediu pra mãe uma igual. E por que não? Se a lei proíbe que
pais possam dar palmadinhas, sejamos pós-modernos e ouçamos as vozes dos
especialistas em comportamento dando liberdade aos desejos da criançada, afinal
dizer muitos
Dhanilo Ramalho
Jornalista