quarta-feira, 25 de agosto de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
CRÔNICA
OLHARES URBANOS
Um relógio na parede. O primeiro encontro
matinal. O olhar semi-serrado. Pelas pálpebras,
o flerte com a hora. Os raios do sol que passam
pelas frestas da janela se alongam, lambendo o
piso do quarto, os lençóis da cama e os rostos.
O banho. O café. O olhar sobre aquela que
ainda dorme. A saída e o caminhar por entre
árvores - tão poucas; entre pessoas - tão
distantes; entre automóveis - tão frios.
Um banco de ônibus. “Olha o troco!”
Estranhos dividem o mesmo espaço, o mesmo
quadro; o mesmo olhar sobre a mesma paisagem,
diariamente. Rostos familiares, asseados,
sonolentos, buscam um motivo que os
impulsione, que os faça perseverar naquela
rotina. Trocam-se olhares. Banco duro e vazio
do lado da janela. “Com licença?” Desconforto
democratizado. Olhos tombam vencidos ainda
pelo cansaço do dia anterior. Olhar a hora. “Que
horas, por favor?”
O canto dos pássaros, o som do vento que
assanha as árvores. O riso das crianças. Um olhar
para o passado. A cidade que cresce. Não, a
O olhar sobre o presente. Mas não um
presente qualquer, o presente do modo
subjuntivo: “que eu olhe um mundo melhor”. O
canto das buzinas, o som dos motores, as vozes
que reclamam. Olhando o meu mundo. O banco,
a janela emoldurando a paisagem de ontem, de
amanhã e, quem sabe, do mês que vem; do ano
que vem. Os olhares não se cruzam mais. Viraram
cativos dos devaneios, das leituras ou
simplesmente do sono. A luz, o sol e o calor
participam da leitura. Eu, o sol e entre as mãos,
um Fernando Sabino com folhas soltas, gastas e
amareladas. O olhar que passeia pelas estradas
literárias, pelos campos de verbos, sujeitos e
predicados sempre bem iluminados pela manhã,
numa terra de sol, de luz e de mar. A minha
terra.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
CRÔNICA
SAUDADES DOS OLHOS AZUIS
Não pense que vou escrever sobre um amor
não correspondido, tipo novela mexicana. Vou
escrever sobre um amor, mas um amor à arte de
cantar e a de ouvir, porque não?
Hoje, dia 14 de maio, comemora-se o
aniversário da morte – comemorar o aniversário
velho e maltratado mundo.
Bem, não sabem ainda de quem falo? Talvez
vocês não saibam nada sobre a história da música
ocidental dos anos 40 para cá. Está certo,
ninguém é obrigado a saber; mas todos aqueles
que apreciam a boa música – pois só existem
dois tipos de música, a boa e a ruim – devem ter
o discernimento para saber quem é o mocinho
ou quem é o vilão no mundo da arte. Ok, ok, já
chega de rodeios. Estou falando de Francis Albert
Sinatra, o velho e bom Frank!
Garoto pobre, de um bairro pobre (Hoboken)
em Nova Jersey, Estados Unidos. Sabe como é,
aquela velha história de começar do nada e
brilhar para o mundo.
Era fã do maior cantor na sua época (Bing
Crosby) e sonhava em cantar como ele. Depois
de assistir a um de seus shows decidiu que não
poderia ser outra coisa na vida além de cantor, e
foi à luta. Deu no que deu. Foi um dos maiores
vendedores de discos e conquistador de mulheres
(sim, elas: Marilyn Monroe, Ava Gardner,
GraceKelly, Mia Farrow, etc e etc... quer mais!?),
principalmente no auge dos anos 50, época que
a sétima arte tinha mais estrelas que o céu do
interior de Goiás. Mas isso é uma outra história.
Para falar sobre Sinatra seriam necessárias
muitas linhas, folhas, livros. Vamos então
aproveitar o The Voice, pois ouvir Sinatra é
melhor que falar sobre Sinatra. É presentear, em
um primeiro momento o ouvido e, no segundo,
a alma, já que era com ela que ele cantava. Então
só resta lamentar sua partida e dizer que desde
maio de 1998, o mundo ficou – e continua, para
azar dos amantes da boa música – mais
desafinado.
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